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Recentemente, o INSPER proibiu o uso de celulares em seus campi, e a FGV seguiu o mesmo caminho. Na realidade, não é uma proibição propriamente dita, já que são adultos — e não há lei que dite essa regra, nem federal, nem estadual — é uma forte recomendação que pode beneficiar os alunos em projetos internos das próprias universidades.
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Entretanto, definir uma “política de forte recomendação do não uso” é proibir sem usar uma lei, segundo relatos de alunos ao podcast “O ASSUNTO”, do G1. (edição de 18/02/2026).
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Mas essa proibição traz algum benefício real ou apenas tenta controlar o incontrolável?Essa proibição já está em vigor no INSPER há pelo menos um ano, e os professores relatam que as notas e a qualidade do ensino já tem sido melhor.
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Podemos usar o exemplo de uma faculdade do Texas: uma política de incentivo ao uso direcionado apenas ao aprendizado. Quanto “melhor” for o uso — nos momentos corretos — os alunos ganham moedas (coins) para trocar por descontos em lojas no campus e outros benefícios. A diferença é que a política do incentivo não é mandatória — é voluntária.
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No Brasil, uma recente pesquisa divulgada pelo G1, demonstrou que os brasileiros usam o celular, em média, por 05h e 30min por dia. (com uma média de 4h apenas usando redes sociais!). Quando olhamos mais a fundo e separamos por faixa etária, vemos a disparidade entre os jovens: 70% destes passam entre 10h e 19h por dia usando o telefone. Deste tempo, em média 9h por dia é dedicado somente para redes sociais.
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Devem ser realizadas políticas de incentivo ao uso correto do celular, especialmente pelo temido efeito contágio em sala: esse efeito é literal – quando um aluno começa a jogar, os outros têm vontade de jogar também, e quando percebe-se, a sala inteira está olhando para as telas.
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Quando pensamos que os alunos já são adultos quando estão nas universidades, esse pensamento deve ser feito com ressalvas — lembre-se que os alunos oriundos das escolas, geralmente são adolescentes (com 17/18 anos), que entram na faculdade, geralmente, no ano seguinte (com 18/19 anos), ou seja, raramente ocorre grande evolução em tão pouco tempo.
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Porque não faz sentido restringir?
Os profissionais, especialmente aqueles do time dos cálculos (calculadoras de diferentes tipos) e da área da medicina (consultas de condutas médicas) e farmácia (consulta de interações medicamentosas) — usam o celular rotineiramente no mercado de trabalho.
Não faz sentido restringir, afinal também se faz o mesmo uso nas universidades.
Faz-se necessário desenvolver mecanismos de controle do uso dos celulares, voltados ao uso do brasileiro jovem, sem usar a “restrição mandatória”. Um exemplo já mencionado, é a política de incentivo (Universidade do Texas).
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O celular não é o vilão.
O vilão é a incapacidade institucional de lidar com a complexidade dele.
Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2026.